terça-feira, 23 de agosto de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Nostalgia.
A Bailarina
Cecília Meireles
Esta menina tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
domingo, 21 de agosto de 2011
Adivinha
Estou cansada de revirar nossa história em busca de momentos felizes. Olhar no espelho e me sentir a pessoa mais idiota do mundo não é algo que eu goste de fazer. Mas eu tenho feito tantas vezes. Tive aquele mesmo pesadelo de sempre. Fiquei ali, de olhos fechados sentindo o tempo passar. Esperando o sono voltar. Você chegar. Pra dizer que nada daquilo era verdade Quando a gente se fala pelo telefone você leva tudo na brincadeira. Ei, eu to falando sério. Você é o único que me conhece tanto, e sabe dos meus maiores medos. Que é dono dos meus pensamentos e lembranças. Implique comigo. Diga que eu to errada só pra me contrariar. Diga que me prefere sem maquiagem. Ocupe minhas noites vazias no computador. Reclame das minhas notas baixas. Faça tudo que eu nunca deixei você fazer. Volta logo, mas volta pra mim. O nosso monótono domingo. Adivinha? Eu ainda sou sua.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Toca A Vida
A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto. Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.
Pode Iludir
Pode iludir suas meninas com poucas palavras. Pode ser o melhor da vida delas e não querer nada sério. Faz elas acreditarem que você vai mudar, que você vai deixar de querer todas e nenhuma. Promete pra cada uma delas que vai beber menos e abraçar mais.
Mas vem me contar depois.
Deixa eu te explicar que elas sofrem por serem mulheres e que um dia você vai achar uma que não seja tão superficial. Deixa eu te jogar mil indiretas enquanto te aconselho sobre as outras. Enquanto isso, eu sou a que não é tão superficial, mas mora longe demais pra mudar sua vida. Enquanto isso eu te espero porque sei que você vai chegar.
Eu nunca pedi mais que isso, na verdade eu nunca pedi nada. Eu só me fiz presente e fiz falta pra deixar você existir melhor que qualquer um.
Não quero ser quem te trás mais um problema. Não quero ser quem te prende num dilema. Corre teu caminho e vá pra onde der. Eu fico de pé sozinha, esteja onde estiver. Quero te ver bem se não der mais certo, quero te ver bem mesmo sem poder estar por perto. Não quero ser quem te esconde a verdade. Não quero ser quem te rouba a liberdade. Segue teu destino e seja quem quiser.
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